sexta-feira, 20 de maio de 2011

A MURALHA DO ATLÂNTICO- THE ATLANTIC WALL


1. A HISTÓRIA E O DIORAMA:
As defesas alemãs nas praias da Normandia faziam parte de um grande sistema de fortificações, conhecida como Muralha Atlântica (Atlantic Wall), destinada a defender a Fortaleza Europa de uma invasão anfíbia aliada. Depois que o Marechal Rommel assumiu o comando da frente de invasão no final de 1943, ele determinou a construção de elaboradas fortificações ao longo da costa da Normandia, acreditando que qualquer assalto anfíbio tinha que ser detido ainda nas praias de invasão. Este diorama apresenta a minha interpretação do que pode ter sido um exemplar dessas posições estratégicas, onde inclui também uma breve descrição desses sistemas defensivos e as características de construção típicas desses bunker, formidáveis armas letais, nas quais os soldados aliados tiveram que enfrentar, no amanhecer de 6 de Junho 1944.

2. FORTIFICAÇÕES DE CAMPANHA:

Tecnicamente falando, as fortificações alemãs na Normandia eram desenhos modernos baseados na experiência de combate.
Existiam diversas categorias que representavam a capacidade de resistência na construção de um bunker, a melhor começava com a categoria "E" que tinha 5 metros de espessuara nas paredes externas e no teto. Eram destinados para os bunkers do Führer e outros com atividades especiais, tais como os bunkers dos sítios de lançamentos das "armas-V". Os de categoria "A" eram os melhores para o padrão de fortificações militares e possuía 3metros de espessura. Algumas casamatas para canhões de grande calibre e alguns bunkers para Estação de Radar, eram construídos nesta categoria.


O nível das fortificações amplamente utilizada na Muralha Atlantica foi a de categoria "B". Possuía 2 metros de espessura e era normalmente destinada para as casamatas de canhões anti-carro e para os abrigos da tropa.


Várias técnicas foram usadas para camuflagem desses bunkers. A mais elementar delas era a de se procurar posicionar o bunker explorando ao máximo a melhor vantagem das condições naturais do terreno. Desde que fosse possível, o bunker podia ser coberto com terra e em alguns projetos de bunkers, havia uma pequena depressão no teto, o que permitia que fosse colocado uma estreita camada de terra ou leiva de grama. Apesar disso, algumas partes de concreto inevitavelmente ficavam visíveis. Outro procedimento comum, era usar redes de camuflagem, para esconder ou mesmo disfarçar a silhueta do bunker.


3. O TROBUK-PIT:

Os "Poços-Tobruk" era o tipo mais comum de bunker nas posições fortificadas ao longo da costa da Normandia. Construídos num muito amplo e variados estilos, na forma de pequenos bunkers, chamados assim depois que esse tipo de fortificações italianas foram usadas durante os combates em torno de Tobruk, no deserto líbio, em 1942.


No termo oficial alemão, "Ringstanden" todos possuíam a mesma estrutura característica, que era a de ter uma simples abertura circular para um armamento. Os Tobruks era normalmente usados como poços de tiro para as Mg's 34 ou 42, ou podiam ser destinados também para serem guarnecidos por um morteiro de 50mm. A estrutura dos Tobruks oferecia também um pequeno abrigo, logo atrás da abertura circular, que proporcionava proteção para a guarnição durante um bombardeamento. O acesso se dava através de uma porta situada na lateral ou na retaguarda do bunker.

Como os Tobruks eram de classe "B-1" (1,5 metros ou menos de espessura) eles geralmente eram construídos enterrados no terreno e com a terra colocada ao redor, formava uma camada de proteção adicional. Nesta configuração eles eram um alvo difícel para as tropas aliadas atacantes, pois não ficavam facilmente visíveis no terreno e somente podiam ser postos fora de ação através de um impacto direto.


4. AS "WN'S:

Wiederstandnest, é a denominação alemã para um ponto fortificado guarnecido por um efetivo, tamanho pelotão de infantaria. Algumas vezes era abreviado como "W" tais como aparecem nos mapas de Utah Beach, no setor defendido pela 709th Divisão de Infantaria. O termo "StP" refere-se como Stützpunkt para o ponto fortificado guarnecido por uma compania de infantaria.

Um "WN" típico possuía em torno de 5 Tobruks armados principalmente com MG's 34 ou 42, mais alguns morteiros, de 2 a 4 posições de canhões e 2 ou 3 bunkers de comando e abrigos para pessoal e suprimentos.

Além dos bunkers de combate, existiam uma variedade de outros bunkers defensivos nos pontos-fortes (WN's). Gerlamente cada WN podia ter 2 a 3 bunkers para as tropas da guarnição e 1 ou 2 bunkers de comando. Bunkers também foram construídos para estocar a munição e abastecimento.

As WN's eram cercadas com arame farpado, obstáculos anti-pessoal e anti-carro e algumas vezes com campo minado.

Dentro da WN's, trincheiras e poços de tiro, apoiavam os bunkers.

Devido a escassez de mão-de-obra especializada, os comandantes alemães tiveram que usar as suas tropas como operários, diminuindo o tempo dedicado à importante missão de manter a instrução tática da tropa. Algumas unidades eram empregadas 3 dias inteiros por semana em tarefas pesadas e a outra parte restante do tempo era ocupada no serviço de guarda das fortificações.


5. EXPLICATIVO DA CENA:

Neste cenário procurei resgatar aquele ambiente típico vivido durante o período anterior a da invasão na Normandia. Um grupo de oficiais de Estado-Maior do Exército, consultando os seus mapas e observando o terreno ao redor, continuam na tarefa de inspecionar as obras defensivas próximas da costa. esta posição abriga um bunker para o comandante de um pelotão de infantaria. A abertura circular no teto é típica dos "Tobruk-Pit" e no caso aqui é ocupado por uma MG 34, com a função de auto-defesa do posto de comando. A posta na lateral do bunker, leva a parte de trás da casamata no espaço destinado ao exercício do comando. Mesas, mapas e rádios completam o espaço físico no interios do bunker.

O set de figuras DML 6213 German Command Staff, serviram muito bem para formar a principal cena do diorama. Os mapas dos oficiais são impressos da Peddinghaus.

Nas figuras usei acrílicos Tamiya XF-65 Feld Green nas pinturas das túnicas e XF-54 dark Sea Grey para a pintura das calças com culotes dos oficiais. A exceção é para a túnica da figura do general que foi pintada também em XF-54. Na pintura da cor da pele, usei XF-15 como base e depois óleos acrílicos acrilex diluídos em terebintina para facilitar a aplicação na pintura da face e mãos.

As outras 2 figuras que ajudaram a enriquecer este cenário, vieram do kit DML 6574 "German Warriors" que especialmente para esta cena, selecionei para serem usadas com cabeças de resina do set Verlinden 1730 "Character Head Set". O motivo de mudar as cabeças foi dar um visual mais operário aos soldados, em sua árdua tarefa de melhorar as obras defensivas nos pontos fortificados. A expressão facial dessa cabeças de resina são muito melhores que aquelas que vêm no set da DML/Dragon.

Enquanto alguns vigiam, outros trabalham. As WN's eram ocupadas por tropas de segunda-classe, formadas de reservistas de mais idade ou muito jovens, equipados com armamento alemão mais antigo e uma coletânea de armas capturadas. Aquela figura do guarda é em resina da Warrior e foi colocada dentro da abertura circular do bunker. naquela posição a MG 34 tinha um movimento de 360 graus proporcionada por uma cinta metálica, que existia na parte inferior da abertura. Os sacos de areia, colocados na retaguarda formava "parede", uma cobertura e ajudava na proteção do poço de tiro. Observe o emprego da antiga MG15 montada no tripé, que possui uma mira anti-aérea e tem dois carregadores. Para um modelismo de qualidade, este set de figuras da DML/Dragon, são altamente recomendados, uma vez que a postura e o desenho do uniforme dessas figuras foram muito bem moldadas pelo fabricante chinês.


Diorama, Fotos e texto, por Fábio Cunha.



Agradeço a sua Visita!