sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

OS ALEMÃES CHEGARAM!!! Diorama sobre o DAK parte final

Em se tratando de dioramas sobre o deserto, não se pode deixar de não incluir....as palmeiras...elas são a "cara" do deserto...desde que se tenha o cuidado de selecionar a palmeira correta!!! Existe uma variedade muito grande de espécies de palmeiras, mas a espécie mais comum de ser encontrada no deserto africano possuem formas adaptadas aos ambientes escassos da precença de água: A altura média é baixa, entre 3 a 5metros (1/35: 8cm a 14 cm) e o tronco é grosseiro e com várias cascas grossas sobrepostas (que serve para diminuir a transpiração da planta) contribuindo para a retenção por mais tempo da água para a planta, que ocorre na época da estação chuvosa, no deserto.


Existem muitos artigos na net que ensinam sobre como fazer palmeiras, embora existam no mercado, alguns fabricantes de palmeiras (de qualidade duvidosa) onde algumas plantas são compatíveis para ser utilizadas na escala 1/35. Mas todo o modelista de dioramas deve estar ligado para não ser "induzido" a acreditar que todas as palmeiras são iguais e portanto, podem-se usar em qualquer lugar! Não..não...não é bem isso! Vamos prestar atenção gente! Também não dever ser "distraído" o suficiente, para construir uma palmeira entre 20 a 28cm de altura, de tronco estreito e liso, fazer uma cena qualquer e colocar alí...um soldado alemão! OOppss!!! Isto é quase tão ruim e amador, quanto fazer um diorama do D.A.K com um tanque Pantera.....(!)


Uma palmeira com essa medidas e formas, normalmente atingem uma altura real de 7 a 10metros e são espécies vistas nas ilhas do pacífico ou Vietnã, porque são plantas que se desenvolvem em um clima quente e úmido, próprias de regiões de chuvas abundantes. Assim essa palmeira, tal como o tanque Pantera, não tem nada a ver com o Deserto Africano.....


Existem várias formas de construir uma palmeira, podendo ser alterada conforme a experiência de cada modelista. Em palmeiras tropicais é comum utilizar entre 10 a 12 a quantidade de folhas. No deserto, a quantidade de folhas na copa das palmeiras é maior...e folhas um pouco menores também aparecem na base do tronco, junto ao chão.


As 3 palmeiras usadas neste diorama possuem alturas diferentes, isso em função da composição da cena e basicamente foram construídas a partir de um pequeno ramo estreito e desidratado de roseira. Passei massa acrílica para engrossar um pouco a espessura do tronco. Na extremidade da copa usei da mesma massa acrílica para moldar o topo do tronco onde brotam as folhas, que é mais delgada e foram feitas de papel e fixadas com cola instantânea. Utilizei entre 18 a 20 folhas para cada palmeira.


Tenho que insistir com as palmeiras ainda mais um pouco. Como preferência pessoal, o acabamento das que aparecem neste diorama, ainda não me agradam. Na pintura, comecei com acrílicos da Tamiya XF-62 bastante diluído em água e finalizado com óleos acrilex.


Símbolos da precença inglesa na cidade de Agedabia: Placas de trânsito com marcas típicas do exército britânico indicando postos de abastecimento, depósitos diversos, QG's....feitos à mão-livre ou letra-set, ajudam a conferir mais realismo à cena do diorama.


Restos de destroços à margem da guerra: Para reforçar a impressão que a cidade de Agedabia tinha sido apressadamente evacuada pelas tropas inglesas em fuga, incluí no diorama, diversos ítens de equipamentos britânico, de forma a ficar abandonado nas margens da estrada. O HD-13 Arame Farpado, foi mais uma vez usado para retratar o "clima" de guerra.


Adicionar uma boa quantidade de vários acessórios e procurar ser minuncioso nos detalhes, ajudam o modelista a recriar uma atmosfera bastante autêntica, deixando a cena do diorama o mais próximo possível daquilo que realmente existiu ou foi vivido.


Sempre é bom lembrar que a inclusão de detalhes num diorama, tais como caixas de munição, jerrycans, mochilas....não pode ser feita de maneira aleatória, ou somente para cobrir os espaços vazios da cena......


...mas deve sim, ser feito sempre de maneira conveniente com a temática proposta para a cena e tendo o cuidado de se manter tudo em equilíbrio, ou seja, o lay-out da cena.



DIORAMA, FOTOS E TEXTO: Por Fábio Cunha.




"NÃO FAÇA CÓPIA...INCENTIVE A SUA CRIATIVIDADE!!!


Agradeço a sua Visita!!!

domingo, 10 de janeiro de 2010

OS ALEMÃES CHEGARAM!!! Diorama sobre o DAK, parte II

As figuras são de resina de diversos fabricantes, tais como Warriors, Alpine, Verlinden....sendo que algumas tiveram a sua postura modificada. Receberam pintura acrílica base e foram finalizados com óleos acrilex. Na pintura da face e mãos, os óleos foram diluídos em terebintina e pintados a pincel pêlo de marta #2 e #0.


As primeiras tropas alemãs em África, receberam equipamentos desnecessários ou pouco adequados. Todas as figuras deste diorama estão usando o uniforme do DAK, característico daquele período inicial: O conjunto padrão europeu revelou que o uniforme era mal desenhado, a jaqueta era muito justa, os culotes restringiam os movimentos e quando em uso, o "capacete tropical" protegia apenas do sol, menos dos estrilhaços das explosões....

O uniforme europeu em África: Os culotes estreitos no joelho, para se abotoar os canos longos das botas, eram de uso comum nos soldados neste período inicial da luta no deserto. As botas e os culotes eram muito desconfortáveis no deserto e logo dava-se um jeito de serem...."descartados".


A disciplina das roupas eram menos rigida no deserto do que em outras frentes de combate. Por motivos óbvios, em África, o Black Panzer Uniform, deixou de fazer parte do uniforme dos tanquistas.



Os primeiros veículos do DAK a chegar, eram pintados em "overall Dark Grey". No início de 1941, a Wehrmacht não possuia tinta apropriada para as condições climáticas africanas. Como solução temporária, os veículos foram borrifados com óleo, sobre o qual se espalhou areia.....



Este "Afrikano" SdKfz 232 é o velho e bom kit da Tamiya de referência 35036. Recebeu um tratamento de pintura para que mais se aproximasse com o visual dos veículos do DAK. Após um primer de tinta enamel de cor neutra, que pode ser um cinza claro RLM02 da Testors, foi aerografado em overall XF-24 e micropintado de XF-59 a pincel #2. Depois de seco, recebeu uma capa de verniz acrílico incolor fosco. Após respeitar o tempo de secagem, recebe um intenso processo de whashing com óleos raw umber, burt sienna, titanium white, yellow ocre e black, aplicados em diferentes quantidades até obter um resultado satisfatório. Foi finalizado com vários tons de giz pastel seco aplicados em pó.


O kubelwagen da Italeri (kit#312) recebeu tratamento semelhante ao do SdKfz 232, para ficar com a "roupagem" do DAK.


Veículos pequenos e abertos, assim como aparece neste kit do kubel da Italeri no meu diorama, para ficarem interessantes na cena, precisam ser "carregados" de acessórios...mas sempre valendo o bom senso do modelista na seleção dos ítens e procurando respeitar a noção de manter o equilíbrio da cena, evitando carregar exageradamente o pequeno veículo....(!)



Os primeiros veículos alemães a chegar na África do Norte faziam parte do 5th Regimento Panzer, da 3th Divisão Panzer. Este regimento foi o núcleo, onde foi organizada a 5th Divisão Ligeira, para uso em África. Mais tarde, durante a Campanha do Deserto se desenvolvia, seria reformada e fortalecida em seus efetivos e veículos, passando a ser nomeada, 21th Divisão Panzer.


A 5th Divisão Ligeira não adotou nenhum símbolo específico em Africa. As divisional markings dos veículos foram pintadas a óleo e pincel e identificam a unidade de origem, 3th Divisão Panzer.


A bandeira nacional alemã, facilmente reconhecida por sua cores, servia como um excelente símbolo de identificação aérea para os pilotos da Luftwaffe. Genialidade alemã de comprovada eficácia. Como não podia deixar de ser diferente, mais tarde nesta guerra, nas campanhas em solo europeu, os aliados, em particular o U.S Army, empregariam de meios semelhantes, tais como os painéis I.D, que eram usados sobre os blindados americanos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

OS ALEMÃES CHEGARAM!!! Diorama sobre o DAK parte I

3th Batalhão de Reconhecimento, 5th Divisão Ligeira, DAK, Agedabia, Africa do Norte, 1941.




A aventura italiana na África do Norte, invandindo o deserto ocidental do Egito em setembro de 1940, transformou-se num desastre, passando os italianos por dificuldades sérias, quando em dezembro, os britânicos reagiram no Egito e eliminaram todo um exército italiano. A ação britânica prosseguiu rapidamente e em fevereiro toda a região da Cirenaica tinha sido capturada e com ela importantes unidades italianas.



Antes que a derrocada italiana na Líbia fosse total, com a ocupação da tripolitânia pelas tropas britânicas, provocando uma crise política de graves consequências para a Itália, determinou-se a intervenção de forças alemãs no Teatro de Operações Africano, com o envio de uma divisão blindada.


À 5th Divisão, iria juntar-se a 15th Panzer, formando assim um Corpo Blindado. Em seu comandante, Erwin Rommel, a tropa alemã constituiria em uma das mais famosas unidades militares da história, o DeutschesAfrikaKorps.



Diante de tropas britânicas enfraquecidas na linha de defesa, uma vez que o comando ingles retirou algumas tropas para serem enviadas para a Grécia onde já estava em curso uma operação de invasão dos Balcãns pelo exército alemão, elementos avançados do DAK, atacaram El Agheila em 24 Março 1941.




A 31 de Março, as posições britânicas em Mersa Brega foram rompidas....




Durante todo o dia a batalha continuou e nenhum contra-ataque dos britânicos aconteceu, possibilitando à 5th Divisão Ligeira de se reunir para um esforço final, eliminando os britânicos das posições que ocupavam. Os alemães finalmente chegaram para lutar no deserto e os ingleses surpreendidos, passaram a não aceitar a batalha. Seria assim...aonde os alemães arremetiam, os ingleses cediam...seria assim....no início sim, mas não por muito tempo....




Este meu trabalho marca o início de uma série de dioramas que apresentarei neste meu blog, sobre a campanha do deserto. A cena em questão, procura passar uma idéia sobre o início das ações ofensivas alemãs, naquele Teatro de Operações.



Trata da tomada de Agedabia em 2 de Abril 1941. Com a ocupação desta cidade, caem em poder dos alemães as boas nascentes de agua potável, daquela parte do deserto. Diante de um Kubelwagen da Italeri e de um SdKfz 232 da Tamiya, oficiais procuram no mapa a localização das fontes de água da cidade. Os veículos pertencem à vanguarda do 3th Batalhão de Reconhecimento, já dentro da cidade líbia de Agedabia, recém abandonada pelos ingleses em fuga. Um posto de Comando (PC) de nível de Batalhão de Infantaria, montado dentro do albergue, com equipamentos intactos, indicam a pressa que os ingleses estavam em deixar a cidade.



A tonalidade de cor da areia variava tanto que em muitos lugares a variedade era muito próxima de uma localidade para outra. O conhecido historiador militar e profundo conhecedor do deserto africano, Paul Carrel, em sua obra literária "AfrikaKorps", mundialmente lida, definiu que..." a areia tinha uma cor de ferrugem..." Partindo de uma base de tinta acrílica de cor marrom-claro, pintei sobre uma mistura já seca de areia+cola branca+água e depois desta tinta já ter secado, usei diferentes tons de giz pastel para tentar executar esta difícel tarefa, que é a de reproduzir uma cor apropriada para a areia do deserto. (O giz pastel precisa ser ralado com a granulação bem fina até ficar um pó).

A guerra do deserto foi travada numa vasta arena de areia e pedra e mesmo nesta vastidão desértica, as poucas cidades com as suas edificações estavam localizadas próximo da costa. A Cirenaica, em particular, é uma região que possui uma boa quantidade de cidades. Para elaborar esta cena, esculpi uma peça de gesso, que representa um Albergue típico do Oriente Médio.



Todos os elementos que envolvem o ambiente desta cena foram montados em torno do prédio. O kit de gesso contém uma dezena de peças que foram montadas e pintadas e procurei fazer o interior bem detalhado e a edificação em si, ocupa um espaço razoável no diorama. Depois de ser cuidadosamente colado com cola branca e as eventuais frestas terem sido preenchidas com massa acrílica, foi facilmente pintado com acrílicos da Tamiya e tintas a óleo acrilex. Depois do processo do Washing, o conjunto todo foi finalizado com um leve "blend" de diferentes tons de giz pastéis.


Esta postagem é constituída de 3 partes. Continua na parte II.


Diorama, Texto e Fotos, por Fábio Cunha.


Agradeço a sua Visita!!!


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